sexta-feira, setembro 26, 2014

Caminhada pela Vida - Pelo Direito a Nascer!





Ainda hoje me lembro bem da primeira vez que ouvi falar em aborto. Estávamos em Fevereiro de 1997, tinha eu 11 anos, e discutia-se então no Parlamento a liberalização do aborto até às 12 semanas.
Nessa altura ouvi a minha mãe a falar indignada sobre o assunto e quis saber do que se tratava.

A minha mãe lá me explicou que aborto era quando uma mulher que estava à espera de bebé não queria ter a criança e acaba com a gravidez. Lembro-me de perguntar se isso não era matar. A resposta foi clara e eu fiquei se perceber como era possível uma lei que permitia eliminar uma vida.

No dia seguinte ia haver uma Caminhada, da Basílica da Estrela até ao Parlamento, para pedir que os deputados chumbassem a lei do aborto que ia ser discutida nesse dia. Pedi à minha mãe para ir, mas ela proibiu-me, porque eu tinha aulas e porque tinha medo que houvesse violência. 

Pese a proibição materna acabou por se tornar irresistível participar: quando estava a sair da escola encontrei a Caminhada a descer a Calçada da Estrela. Não sabia muito bem o que fazia, mas sabia que não podia haver uma lei que permitisse matar e por isso juntei-me à caminhada.

Dessa vez a lei não passou. Mas em Janeiro de 1998 houve nova tentativa, com duas propostas, uma do PCP que permitia o aborto até às 12 semanas e outra da JS que permitia o aborto até às 10 semanas. Mais uma vez participei na Caminhada feita pelo Juntos Pela Vida, desta vez já com autorização da minha mãe. Infelizmente a lei da JS acabou por ser aprovado por 3 votos.

Foi então que o Engenheiro Guterres, com o apoio do PSD do Professor Marcelo, forçou o Referendo.

Foram os meus primeiros meses de activismo político: mailings, panfletagem, distribuir pins e bonecos de bebés com 10 semanas de gestação. E contra todas as expectativas em Junho de 1998 o Não ganhou o referendo.

Contudo o trabalho não estava terminado, ainda havia muitas mulheres que recorriam ao aborto por não terem quem as ajudasse. Foi então que começaram a nascer tantas associações que ainda hoje ajudam as mulheres grávidas em dificuldade.

Uma delas foi o Ponto de Apoio à Vida, fundado pela minha mãe. Ao princípio consistia apenas num número de telefone, que funcionava 24 horas por dias, para o qual as mulheres que estivessem abortar podiam ligar a pedir ajuda.

Foi assim que aprendi que o aborto é um flagelo, não apenas por causa das vidas que elimina, mas também pela dor que causa às mulheres que abortam. Muitas delas vítimas da pressão dos pais, dos companheiros ou dos patrões.

Depois, ao fim de quase dez anos, num total desrespeito pela democracia, o PS convocou novo referendo sobre o aborto (inaugurando uma filosofia que ainda hoje a esquerda mantém de que os referendos só servem para alcançar os resultados políticos que lhes convêm).

Aí, já mais consciente do que estava em causa, participei mais uma vez na campanha. Fizemos nova Caminhada e sobretudo uma campanha heroica, sem recursos, com o desagrado dos media, mas certos de que toda a Vida é um Bem.

Infelizmente perdemos. Infelizmente não apenas para nós, mas para todo o país. A lei saída do referendo de 2007 não só permitiu já a morte de milhares de crianças, como tem sido usado como arma de pressão por parte de pais, companheiros, patrões e até pelos serviços sociais sobres as mulheres com menos recursos.

Sobretudo, criou um sentimento de impotência. Como é possível que seja legal eliminar uma vida inocente? Como é que o Estado não protege os mais frágeis, aqueles que não têm voz? Mais, que podemos nós fazer?

Mas se houve uma coisa que aprendi nestes anos é que o aborto não é para nós uma bandeira política. Para nós cada vida tem valor. E vejo isso à minha volta. Tantas crianças supostamente indesejadas, com deficiências, pobres, crianças que quem defendeu o Sim ao aborto declarou nunca virem a poder ser felizes, que crescem, rodeadas por famílias e pessoas que as amam.

Por isso, cada aborto que não se realiza é uma vitória! É uma vida que nasce! Se é verdade que neste momento não há possibilidade de acabar com o aborto legal no nosso país, também é verdade que podemos fazer alguma coisa. Podemos testemunhar publicamente que toda a Vida é um Bem. Que o aborto não é uma solução, mas sim um drama.

Por isso gostava de desafiar cada um dos que lê este texto a participar na Caminhada pela Vida no próximo dia 4 de Outubro, às 15h em Lisboa. Encontramo-nos no Largo Camões e juntos percorremos o caminho até São Bento para defender o Direito a Nascer! É verdade que não podemos fazer muito, mas isto podemos fazer: Caminhar juntos por todos os bebés que não têm voz; Caminhar juntos por todas as mulheres que são empurradas para o aborto; Caminhar juntos por todas as famílias; Caminhar juntos para que todos tenham Direito a Nascer!

Eu vou. E tu?

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